10 de março de 2010

      






 

Redes associadas exibem seus músculos


Por José Antonio Mariano

Se é fato que as associações varejistas existem desde os anos 1990, é fato também que, no que diz respeito ao varejo farmacêutico, tais associações só se profissionalizaram mesmo depois que a Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas de Farmácia) foi crida em 2000. Seu principal mentor e atual presidente, Edison Tamascia, empresário do setor farmacêutico há 35 anos, membro efetivo da CBFarma (Câmara Brasileira de Produtos Farmacêuticos) e da CNC (Confederação Nacional do Comércio), deu os contornos que fizeram da Febrafar a grande organizadora do segmento, capaz de reunir, atualmente, quase 30 redes, mais de 2.500 lojas e um faturamento que chegou a R$ 2,1 bi em 2008 (com vendas de 265 milhões de unidades). “Estimamos que o faturamento ultrapasse R$ 2,5 bi até dezembro deste ano”, garante o empresário.

A Febrafar surgiu em 2000, e, antes dela, algumas iniciativas em termos de associações de farmácias independentes já haviam sido tentadas. Algumas redes, inclusive, permaneceram sob a bandeira da Febrafar. No que difere essa entidade das que anteriormente tentaram trilhar o mesmo caminho?
As associações existem desde o início dos anos 1990, mas atuando de forma independente. Ou seja, formava-se uma rede de atuação regional, e ela não interagia com as outras redes associativistas. Devido a isso, foi criada a Febrafar, em 2000, com a missão de promover a integração entre as diversas redes associativistas. Portanto é bom deixar claro que não somos os precursores do associativismo, mas podemos aceitar de bom grado o título de organizadores do modelo associativista.

O que o farmacista interessado em se vincular à Febrafar deve fazer?
Como entidade que é, a Febrafar não filia nenhuma farmácia. Somos uma federação de redes, e, sendo assim, é necessário que o estabelecimento esteja associado a uma das redes agregadas à nossa federação. Aí ele torna-se um estabelecimento associativo.

Quais são os benefícios que ele coleciona a partir dessa vinculação?
Basicamente, atuamos como fomentadores e orientadores de negócios junto aos players, que atuam no nosso segmento. Ou seja, promovemos a aproximação e a disseminação dos negócios oferecidos pelos fabricantes e distribuidores, integrando-os às nossas redes associadas.

Quanto custa isso em termos financeiros?
A Febrafar cobra de cada rede associada uma mensalidade de R$ 1.200,00. Suponhamos que a Rede Saúde, um nome hipotético, tenha cem farmácias a ela associada. Isso dá um custo de apenas R$ 12,00 para cada uma – um valor insignificante. Agora, se essa hipotética Rede Saúde tiver 400 associadas, o custo de R$ 1.200,00, diluído por farmácia, cai para R$ 3,00. Bem se vê que se trata de um valor irrisório.

O farmacista precisa adequar alguma estrutura externa de layout ou de reposicionamento de sua marca para fazer parte da Febrafar?
Sim. Fazemos uma análise bastante criteriosa para aceitar uma nova rede como nossa associada, que não é só em termos de layout, pois pesquisamos também o comportamento desse possível associado junto aos fornecedores, exigimos uma certidão positiva de crédito e várias outras informações que atestem idoneidade. Mas sempre lembrando que não associamos um estabelecimento, e sim uma rede de farmácias com espírito associativista. Desse modo, para figurar no quadro de farmácias ligadas à Febrafar, o farmacista precisa, primeiro, filiar-se a uma das associações vinculadas à instituição.

De quantas redes de farmácia dispõe a Febrafar, e, no total, quantos são os PDVs?
Atualmente, temos 26 redes associadas com aproximadamente 2.600 lojas. Estamos em vigoroso ritmo de expansão e podemos iniciar o segundo semestre, deste ano, com quase 30 redes.

Qual é a área que mais concentra redes associadas da Febrafar?
Em número de farmácias e drogarias, nossas redes situadas no Nordeste concentram o maior número; somam, atualmente, 903 lojas. Já em número de redes, o Estado de São Paulo agrupa um número maior – são dez redes espalhadas na capital, Grande São Paulo e interior.

Qual foi o faturamento total das redes no ano passado e qual é a previsão para este ano?
Em 2008, o faturamento total das 2.559 lojas associativas – afiliadas às redes associadas à Febrafar – chegou a R$ 2,13 bi, registrando mais de 265 milhões de unidades de produtos vendidos. Estimamos que o faturamento ultrapasse R$ 2,5 bi, até dezembro deste ano.

Quais são os grandes desafios enfrentados pelas redes independentes de farmácia?
A adequação às novas exigências tributárias, fiscais e sanitárias sempre foram os maiores desafios do segmento varejista farmacêutico. Mas tivemos também mudanças significativas no setor de distribuição e que, consequentemente, afetou bastante o varejo.

Qual sua opinião sobre o formato franchising de farmácia?
Acho louvável qualquer modelo de agrupamento, seja franquia, seja associativismo ou licenciamento de marca. Penso que a junção de forças entre as diversas empresas de um mesmo segmento, para aumentar a competitividade, seja o caminho mais eficaz, para que todos alcancem o sucesso.

Os genéricos vêm alcançando índices expressivos de crescimento nas chamadas grandes redes. Como esse tipo de medicamento tem se comportado nas redes associadas à Febrafar?
Nossa evolução está alinhada ao crescimento de mercado. Tal qual esse, à medida que os genéricos se consolidam perante o público como uma opção segura em medicamentos e venha apresentando um crescendo em seu volume de vendas, nós seguramente acompanhamos.

Como as redes trabalham o setor de HB (Health & Beauty) nas farmácias, uma vez que esses itens vêm se consolidando como expressivos no cômputo de vendas das drogarias?
Trabalham bem. Hoje, o segmento dos chamados não medicamentos na Febrafar representa 24% e está alinhado aos indicadores das grandes redes. Estamos trabalhando para que, nos próximos cinco anos, esse percentual chegue a 34%. Essa é nossa meta.

Qual sua opinião quanto ao avanço dos grandes supermercados – Pão de Açúcar, D´Avó, CoopeRhodia, Wal-Mart – sobre o varejo farmacêutico?
Normal. Acho que é simplesmente mais um concorrente e que incomodará como incomoda qualquer outro concorrente.

O jornal Valor Econômico, em sua edição de 18 de junho, afirma que a adoção do regime de substituição tributária e nota fiscal eletrônica “começaram a asfixiar as drogarias que conseguiam sobreviver graças à sonegação de impostos”. Você acha que a adoção desses instrumentos realmente inibe a sonegação de impostos?
Acho isso ótimo. Dessa forma, a competitividade torna-se mais igualitária. Vivemos hoje um modelo que privilegia a gestão. Ou seja, certamente prosperará quem tiver competência para administrar.

Ainda nessa questão, não há como trabalhar mais efetivamente – e esse é um papel conjunto de toda a cadeia farmacêutica – para desonerar a carga tributária sobre os medicamentos?
A Febrafar, enquanto entidade de fomento, não tem ação nesse sentido. Não temos e não queremos ter nenhuma atuação política. Somos uma entidade voltada para a iniciativa privada. Posso lutar pela desoneração como cidadão e empresário, mas, nesse caso, não posso falar em nome da entidade.

É perceptível na Febrafar o foco no desenvolvimento gerencial dos seus associados. De quais instrumentos dispõe a associação para promover tal aprimoramento?
A Febrafar, por ser uma entidade voltada para o fomento, sempre procura desenvolver ferramentas que promovam o aculturamento de seus associados. Nesses nove anos de trajetória, já foram implementados produtos e soluções, que possibilitassem tornar cada ponto de venda associativo mais competitivo. Entre as ferramentas, já viabilizamos cartão de crédito Private Label, convênio empresarial, cartão consignado para aposentados, Sistema Integrado de Compras (SIC), campanhas sociais, eventos quadrimestrais, simpósios, workshops, treinamentos, programa de capacitação de líderes, PGV (Programa Gestão de Varejo), entre outros.

Qual o futuro do segmento varejista para as redes de farmácia? Você acredita em uma concentração de PDVs sobre uma mesma bandeira ou haverá uma maior pulverização de marcas pelo Brasil?
Acredito que as redes continuarão crescendo, as associações de um modo geral também continuarão crescendo, e as lojas independentes, sem bandeira, terão maior dificuldade de crescimento. No entanto o mercado é bastante pujante e tem espaço de crescimento para todos que nele atuam.



 
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